Entendendo o Transtorno Bipolar

O termo bipolar tornou-se popular na sociedade, e toda pessoa que vivencia muitas variações de humor é chamada assim. Porém, o que a maioria das pessoas não imagina é que o transtorno bipolar se trata de algo muito mais sério do que uma simples alteração no humor, podendo comprometer significativamente o funcionamento pessoal, social e profissional de quem lida com o problema; sem contar a possibilidade de causar sérios prejuízos a sua saúde e a sua vida.

O transtorno bipolar ou transtorno afetivo bipolar é uma doença mental que compromete o regulamento das emoções e desencadeia um comportamento marcado por alternância entre episódios depressivos com episódios de euforia (também chamada de mania ou hipomania, dependendo da intensidade e da duração), e casos em que há uma mescla de episódios depressivos com os de euforia. O ânimo da pessoa afetada oscila de um extremo a outro, em reações desproporcionais aos fatos da vida e sem um motivo aparente, fugindo do controle.

Importante destacar que o transtorno bipolar pode aparecer pela primeira vez em qualquer idade: seja ela na criança, no adolescente, no adulto ou no idoso.

O transtorno pode ser:
• bipolar tipo I, quando a pessoa apresenta pelo menos 1 episódio maníaco e períodos de depressão profunda, considerada a forma mais grave do transtorno;
• bipolar tipo II, em que a pessoa apresenta períodos de níveis elevados de energia e impulsividade que não são tão intensos como os da mania (chamado de hipomania). Esses episódios se alternam com episódios de depressão.
• ciclotimia, quando a pessoa passa por diversos períodos de sintomas hipomaníacos, bem como inúmeros períodos de sintomas depressivos de pelo menos 2 anos (1 ano em crianças e adolescentes).

Na fase maníaca, são sintomas do transtorno: sentimentos de euforia, otimismo exagerado de alegria excessiva ou de irritabilidade, sem motivo aparente, mania de grandeza, energia excessiva com menos necessidade de sono, ou distração, ou excesso de compras, ou atividade sexual e/ou investimentos com consequências graves, autoestima muito alta e pensamentos acelerados. Bastam 7 dias neste estado para se fazer o diagnóstico. A existência da mania caracteriza o transtorno bipolar de tipo I, a forma clássica da doença. Uma característica grave nesse caso é a perda da autocrítica, em que o paciente pode arruinar finanças, reputação, saúde, relacionamentos interpessoais etc.

Na fase hipomaníaca, tem-se a mania leve, com os mesmos sintomas, mas sem a mesma gravidade e que pode durar poucos dias. No transtorno bipolar de tipo II, a pessoa nunca teve mania, somente crises de hipomania de pelo menos 4 dias de duração durante a vida.

Na fase depressiva, o paciente tem sentimento de tristeza, desesperança, desânimo, apatia, diminuição do interesse por atividades que antes eram prazerosas, afastamento dos amigos e do convívio social, pouca energia, cansaço, sono, apetite alterado, dificuldade de concentração, baixa autoestima, normalmente sentindo-se inútil, sem esperança ou culpado, podendo ter pensamentos sobre morte e suicídio.

Vale destacar que as crises podem variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração.

O tratamento do transtorno bipolar compreende psicoterapia e uso de medicamentos. A psicoterapia oferece suporte para que a pessoa supere as dificuldades impostas pela doença; trabalhando os pensamentos disfuncionais, ajudando na conscientização dos estados mentais, dando subsídios para o aumento do autocontrole e autoconhecimento, auxiliando assim na prevenção da recorrência das crises. Caso você identifique esses sintomas em familiares ou em si mesmo, procure ajuda profissional.

Psicóloga Fernanda Morais

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