Amor ou dependência emocional?

Amor ou dependência emocional?

A dependência emocional é a dificuldade que a pessoa tem em gerir sentimentos e emoções amorosas para ter relacionamentos saudáveis. O dependente emocional frequentemente vive relacionamentos tóxicos, destrutivos e desgastados, e acaba por se tornar alguém de difícil convívio.

A pessoa dependente emocionalmente é aquela que, estando num relacionamento, se anula, se menospreza, se coloca para baixo. Sente uma necessidade excessiva de ser cuidado, chegando a ter comportamento de submissão e apego, além de ter temor de separação. É alguém que vive a vida do outro, esquecendo-se tanto de si mesma, que não toma mais nenhuma decisão, ainda que relacionada a gostos e interesses pessoais, sem a aprovação do outro. Está sempre querendo agradar o outro, em uma postura submissa e movida pelo medo de ser abandonada ou trocada. Além disso, por se anular e se desvalorizar com tanta intensidade, em alguns casos, acaba perdendo a sua identidade.

Quem sofre de dependência emocional, em geral, possui sentimentos de inferioridade, rejeição, baixa autoestima, sensação de abandono e um grande vazio emocional dentro de si; e tenta preenchê-lo cuidando do outro, no intuito de que o outro supra a sua carência.

Geralmente, em função de tamanha fragilidade e carência, a pessoa aceita qualquer tipo de relacionamento, tolerando abusos sexuais, físicos, verbais, entre outros. Ainda se apega facilmente a qualquer promessa e gesto de carinho, promovendo em sua vida relacionamentos baseados em apegos e não amor.

De onde vem essa dependência emocional?

De forma geral, as pessoas mais propensas a desenvolver a dependência emocional são aquelas que sofreram privação emocional na infância, ou seja, que provém de lares com pouca ou nenhuma segurança emocional ou física e com pouco afeto. A pessoa internaliza uma forma não saudável de amar.

A forma como a criança é criada na infância é fundamental para o desenvolvimento de adultos seguros, confiantes e independentes emocionalmente.

Por exemplo, crianças que não se sentiram amadas, valorizadas, reconhecidas, importantes, podem se tornar adultos que necessitam da aprovação e do amor do outro para se sentirem protegidos. Por outro lado, há pais que supervalorizam e superprotegem seus filhos, induzindo-os a acreditar que só estarão protegidos e seguros sob suas asas. Também existem aqueles pais que não dão limites, são muito permissivos, satisfazem todas as necessidades dos filhos, mostrando-lhes um mundo fantasioso em que tudo é possível, que na realidade não existe. Esse contexto pode desenvolver adultos inseguros e com dificuldades a serem mais independentes, já que na infância seus pais supriram todas as suas necessidades sem que precisassem fazer esforços para conquistar as coisas por si

Divido com vocês algumas características presentes em uma pessoa com dependência emocional:
– desconforto quando está sozinha;
– autoestima baixa;
– sentimento de menos valia, abandono, rejeição, etc.;
– insegurança no relacionamento, sendo controladora e possessiva;
– valorização excessiva de outra pessoa, tendo-a como prioridade em qualquer situação;
– dificuldade para tomar decisões por conta própria, mesmo as mais simples;
– busca incessante pela aprovação do outro.

Por fim, é importante destacar que todos nós dependemos de afeto, carinho, aprovação, atenção. Porém o problema existe quando a pessoa não consegue viver sem o outro, em um sentimento de aprisionamento pela necessidade sufocante do amor alheio.
Esta dependência pode esconder emoções significativas como medos, traumas, tristezas, inseguranças, impotência e baixa estima. Assim, buscar a compreensão dos motivos que levam a esta dependência pode facilitar o resgate da autoestima, levando o indivíduo a olhar mais para si mesmo, sem a necessidade imperiosa do olhar constante do outro sobre si.

Se você passa por alguma dificuldade nesse sentido, busque ajuda profissional.

Psicóloga Fernanda Morais

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