PRECISAMOS FALAR SOBRE ESTUPRO

Você sabia que a cada um minuto uma mulher é estuprada no Brasil?  Isso representa 500 mil estupros por ano. Destes, apenas 10% são registrados com boletim de ocorrência. Estima-se que 70% das vitimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Cerca de 15% dos estupros registrados no Sistema do Ministério da Saúde (Sinan) envolveram dois ou mais agressores.

Você conversa com seus familiares, amigos, esposo(a) sobre abuso, seja ele sexual ou não? Você fala abertamente sobre estupro? Você sabia que o abuso e/ou estupro acontece em todas as classes sociais?  Infelizmente é um assunto velado, porém carregado de violência de gênero, psicológica, social, física…

A violência de gênero não é só física; das mais comuns, destaco: na relação de submissão, de poder, controle excessivo – incluindo o financeiro, humilhação, obrigar o aborto, gastlighting (abuso mental), expor a vida íntima, agressão física (segurar os braços, trancá-la em um cômodo, sacudir, jogar objetos, etc).  Você já passou por alguma dessas situações? O que você fez?

Lamentavelmente, você deve ter se identificado e provavelmente entendeu que este tipo de situação é natural. Lembre-se: comum é diferente de ser natural, certo?! Se você se identificou com algum dos itens acima e não fez “nada”, tem várias justificativas e uma delas é a culpa. Provavelmente você se sentiu culpada(o) por ter causado “alguma coisa” que pudesse gerar no outro motivos de agir com você dessa forma. Ledo engano!

Você sabia que 42% dos brasileiros acreditam que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”? Já 32% das brasileiras concordam com a afirmação acima. Em 2014, 65,1% dos brasileiros acreditavam que mulheres que mostravam o corpo “merecem ser atacadas” e após a campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada o índice passou para 26%, segundo dados Ipea.

Sim, ainda vivemos num mundo machista e infelizmente muitas mulheres têm essa visão e reforçam o comportamento do seu parceiro. O padrão de abuso – seja ele qual for – começa no seu histórico familiar – a forma como foi desenvolvida e educada. Se você vem de uma família em que quem dita a regra é o pai, se você viu sua mãe ou irmãos sofrendo algum tipo de violência, observe o seu modelo mental – pois você pode entender isso como algo natural.

Esse tipo de violência não tem a ver com a roupa que você usa – a maioria das vítimas não usavam roupas provocantes no ato -, não acontece só na “rua” e não é sua culpa. Ninguém tem o direito de passar a mão no seu corpo!

Conforme Izabel Solyszko, pesquisadora sobre violência de gênero, especialmente sobre feminicídio : “violência sexual não é algo cometido por meia-dúzia de psicopatas, não é coisa de gente doente. Estupro está em todo o lugar e é um dos crimes menos denunciados no mundo. Tratar isso como problema sócio-cultural é tentar mudar um triste quadro de silenciamento massivo, em que 10% das ocorrências são levadas à justiça.”

Por fim, mas não o fim, convido você a conversar sobre o assunto com homens e mulheres. Tem caráter de urgência e apenas eu, você e o ‘nós’ poderemos mudar este cenário que até então é alarmante. O impacto sofrido é devastador e causa cicatrizes para a vida inteira. Peça ajuda! Enfrente o medo e busque alguém que possa te acolher.

Seguindo os dados apresentados nesse texto, aproximadamente mais de 55 mulheres foram estupradas apenas enquanto eu escrevia esse artigo.

Vamos desatar as mãos e criar estratégias para minimizar drasticamente essas estatísticas. Comece por você!

Um beijo e até a próxima.

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