Quantas mulheres cabem dentro de uma mulher?

Mulher! Com leveza e força, doçura e bravura cria oportunidades para pertencer ao mundo, mostrando que a diversidade é a soma da diferença, a multiplicação do desejo, a divisão das barreiras e atividades e o resultado é o direito de escolher o que melhor te representa.

A coragem e a culpa se fazem presentes em algum momento na vida de todas as mulheres. Coragem para assumir uma postura, fazer escolhas, enfrentar julgamentos, (re)começar projetos, criar estratégias para driblar a cultura machista que ainda predomina e em alguns casos discrimina o potencial da mulher. Já a culpa, ocorre em decorrência do padrão cultural e do ideal que cada uma tem de si,  do certo e errado e o que devemos ou não fazer. A culpa pode ter uma função destrutiva ou construtiva.

Há um consenso que nós mulheres ocupamos diversas funções, seja no âmbito pessoal e/ou profissional. Difícil encontrar tempo e disposição para tantos afazeres e lidar com a sobrecarga emocional e física. Este cenário contribui para que algumas mulheres abram mão de seus objetivos, mesmo que temporariamente. Geralmente o duelo perpassa entre a casa (família) e o trabalho.  Isso ocorre, porque o Brasil, infelizmente, está engatinhando para uma cultura de valorização e reconhecimento da mulher no mercado de trabalho, divisão de tarefa e responsabilidade entre o casal.

Segundo dados do Núcleo de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, em 2011 as mulheres são 45% da força de trabalho no Brasil. Porém, ocupavam, até o fim de 2011, apenas 7,9% dos cargos de diretoria e 7,7% dos postos em conselhos de administração. De acordo com o IBGE, mulheres ganham um salário em média 30% inferior aos homens. Esses dados comprovam o quão desafiador é o ambiente de trabalho para a mulher.

A chegada do filho implica inúmeras mudanças na vida da mulher, a começar pela gestação, planos pessoais e profissionais. Atualmente muitas optam por conciliar nascimento do filho com vida pessoal e o trabalho. Outras, preferem parar de trabalhar por tempo indeterminado para dar atenção exclusiva ao filho, tendo em vista  a falta de estrutura e apoio. Se tratando de maternidade, não existe o que é certo ou errado, pois o “ser mãe” vem acompanhado do significado que cada pessoa dá para a maternidade. Qual o significado para você?

Indiferente da sua escolha, é necessário entender que, muitas mulheres, automaticamente ao serem mães, convivem com a culpa imaginária e punição por acreditarem que não estão fazendo o seu melhor. São 24 horas por dia alimentando um desejo, (in)consciente, de não errar. Através da minha experiência clínica, percebo como muitas mulheres buscam dar conta de tudo e todos e de forma “perfeita”. Essa cobrança gera stress, cansaço, irritabilidade, sensação de que não vai dar conta, crises de ansiedade, depressão e etc.

Por fim, busque se desenvolver, invista energia em diferentes aspectos da vida e não fique presa a padrões culturais pré estabelecidos. Faça suas escolhas baseada nos seus valores, vontades e necessidades. Supere suas barreiras internas, aceite suas limitações, dê limites, divida tarefas, faça planejamento até mesmo para o inesperado e sinta o potencial transformador que reside em você. A maternidade pode ser um meio de realização, assim como sua vida profissional, o casamento, as amizades e todos os outros âmbitos de sua vida.

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